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O tema escolhido para os projetos de conclusão de
curso deste ano refere-se a um problema amplamente citado pelo governo atual: a
fome no Brasil.
Sabemos que não é um problema recente. No Brasil colonial, já havia uma
preocupação com as culturas alimentares, frente ao alto investimento em
monoculturas. O dízimo, o recrutamento, os fluxos migratórios, a infra-estrutura
precária, o privilégio dado ao mercado externo, várias
dessas ações, ao longo dos
séculos, agravaram uma condição evidente na sociedade brasileira: a desigualdade.
No século passado, vemos numerosas políticas públicas voltadas para o equilíbrio do
mercado agrícola, principalmente para o abastecimento de insumos. A produção e
distribuição de alimentos foi a tônica dada por essas políticas. Entretanto,
somente nas últimas décadas observamos políticas voltadas para uma ampla
mobilização nacional destinada a combater a desigualdade social.
Toma força, então,
uma frente fundamental para garantir essa articulação: a sociedade civil
organizada. A atuação conjunta de diferentes setores da sociedade fortalece
qualquer medida tomada para o combate à fome.
Mas qual o tamanho da fome no país?
Não há consenso sobre o número de brasileiros atingidos por esse problema, mas
estima-se que existam no país cerca de 46,5 milhões de pessoas que vivem em
condições de insegurança alimentar, ou seja, possuem acesso restrito aos
alimentos e/ou acesso a alimentos de baixo valor nutricional. Os números são
alarmantes e a situação é agravada quando consideramos que a fome humana não é
apenas de comida, mas também de dignidade, diversão e arte. |