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Ao pensarmos em intervenção social, precisamos
definir alguns pressupostos comuns. São premissas importantes para construirmos
uma linguagem comum entre os integrantes do projeto. São elas:
- Todas as partes envolvidas (estudantes, profissionais da escola, técnicos de
área, público-alvo etc.) serão, direta ou indiretamente, beneficiários dos
projetos.
- O termo comunidade não carrega a idéia de carente. As intervenções podem (e
devem) ser realizadas em comunidades de diferentes perfis. É importante que o
estudante perceba que ele pode interferir tanto na realidade de seu entorno
imediato, como a escola, o bairro ou o grupo de amigos, como em realidades
distantes, embora de formas diferenciadas.
- As ações desenvolvidas poderão ser pontuais e fragmentadas. Ações como essas
têm a vantagem da fácil execução, mas correm o risco de se tornarem
assistencialistas. É necessário que tenhamos como objetivo uma real intervenção
na comunidade, que possibilite, sempre que possível, a continuidade das ações
pelos próprios beneficiários diretos. Dificílimo!
- A demanda da ação precisa ser legítima. É relevante que a comunidade manifeste
suas necessidades frente aos problemas detectados.
- A proposta de ação ganha força, caso planejada junto com os estudantes. Uma
oficina de elaboração de projetos facilita o entendimento do problema e dos
mecanismos de solução. Além disso, ao construir seu mapa de contexto, em que
localizam a sua ação dentro de diferentes esferas que afetam o público-alvo
(família, comunidade, governo), os estudantes percebem melhor o alcance de sua
atuação. Ficam com a noção de que seu projeto é a solução de um problema
concreto e localizado, inserido numa esfera mais ampla de problemas que
interferem na vida dos beneficiários diretos, problemas estes que, para serem resolvidos,
necessitam de outras ações, inclusive governamentais. Isso ajuda a diminuir a
frustração de projetos não concretizados e a perceber que seu projeto é
importante, embora pequeno perto de tudo que influencia seu público-alvo
(humildade).
- Inserção comunitária. Ao participar de ações coletivas, o jovem se identifica
e se sente incluído na comunidade, fortalecendo uma postura cidadã. Deixa de se
preocupar apenas consigo e procura influenciar a vida das pessoas que convivem
com ele e melhorar o local onde mora. Com isso, caminhamos para formar uma
sociedade com outros valores, com uma nova forma de ver a relação entre a
sociedade e o ambiente.
- Geração de um produto final. A própria intervenção na comunidade pode ser
encarada como o produto de um projeto, mas devemos atentar
para a importância de um
produto sistematizado.
Alguns referenciais teóricos permeiam todas as
intervenções:
- Deficiência do modelo de desenvolvimento baseado em grandes centros. Devemos
buscar soluções que atendam às demandas emergenciais, mas que demonstrem uma
reflexão sobre alternativas ao modelo encontrado. A tema “Fome” possibilita um
questionamento sobre as grandes cidades e leva a uma reflexão sobre as
diferentes soluções encontradas para viabilizar formas alternativas de vivência
comunitária, baseadas em cidades de pequeno e médio porte, sistemas
agroflorestais, agrovilas, entre outras.
- Desenvolvimento sustentável baseado em ações comunitárias. A interação governo–sociedade civil é de extrema importância para a resolução de questões
socioambientais.
- Ações individuais, sociais e governamentais. Por vezes, as soluções dos
problemas socioambientais recaem sobre o indivíduo (“se cada um fizer a sua
parte, tudo ficará bem”), sobrecarregando o cidadão com a culpa de todos os
males. Em outras ocasiões, são colocadas para o governo (falta de saneamento básico,
falta de combate à miséria etc). É fundamental que os estudantes desenvolvam a
percepção de que, ao se tratar de problemas socioambientais, não basta cada um
fazer a sua parte. Ela é importante e imprescindível, mas é preciso unir
esforços. |