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O Fome Zero é
uma das iniciativas de cunho social mais polêmicas dos últimos anos: afinal, seu
foco é a mais básica das necessidades humanas: a alimentação diária. Em 2004, os
alunos da 8ª série partem desse tema gerador para desenvolver o projeto de
conclusão de curso de 2004, com o tema Você tem fome de quê?
O projeto
levará os alunos a expandir a questão, relacionando a fome não apenas à carência
de alimentos, mas a todas as necessidades básicas do ser humano: fome de comida,
fome de habitação, fome de afeto, fome de cultura, fome de conhecimento. Ao
longo do ano, vão estabelecer contato com diversas comunidades atendidas pelo
Fome Zero para iniciar um intercâmbio com adolescentes de aldeias indígenas e
povoados quilombolas de São Paulo.
Será uma
troca viva, que não envolverá assistencialismo. Antes, a idéia é promover um
encontro de culturas, de visões de mundo, de sonhos. Daí nascerá o projeto de
intervenção, ou seja, o conjunto de propostas, baseadas em estudos prévios, que
os alunos farão para tornar a vida dessas comunidades mais digna.
O projeto
teve início em fevereiro, quando o Magno recebeu a visita do coordenador do Fome
Zero, Frei Betto, que veio apresentar ao Programa de Escolas Associadas da
Unesco-SP o projeto Escolas Irmãs. Este projeto, ainda embrionário, visa
estabelecer pontes entre escolas da região do semi-árido atendidas pelo Fome
Zero e instituições das regiões Sul e Sudeste.
A partir daí,
a Escola buscou a consultoria de uma pesquisadora da área, a bióloga Alessandra Bizerra, e os professores começaram a esboçar o Projeto de Conclusão de Curso da
8ª série.
Viagem
Antes que os
alunos comecem a ir a campo, os professores deram início a algumas viagens de
estudo. No dia 25 de fevereiro, todos foram à região de Eldorado, no extremo Sul
de São Paulo, para conhecer três comunidades remanescentes de antigos quilombos.
No dia 5 de abril, foram a Boracéia, no litoral paulista, para contatar
aldeamentos indígenas.
A idéia é
criar todas as condições para que os alunos possam aproveitar ao máximo essa
viagem cultural pelas raízes do povo brasileiro e para o centro da crise
econômica vivida pelo país há décadas.
O que se
espera é que, ao final do projeto, os alunos tenham amadurecido sua visão
histórica do Brasil, ampliado a consciência social e aprendido que fome se
combate com o coração e com a cabeça, com emoção e com conhecimento.
Alunos da 8ª série
fazem mais uma visita à Comunidade Indígena de Boracéia
No dia 21/09, dois grupos de alunos da 8ª série fizeram uma viagem que
foi uma das mais transformadoras de suas vidas: eles
visitaram a aldeia
indígena de Boracéia, onde tiveram uma agenda cheia, que incluiu encontro com o
pajé da tribo, a produção de pães tradicionais da cultura guarani e caminhadas
pelas cachoeiras da região.
O objetivo da viagem foi complementar os trabalhos elaborados dentro do Projeto de
Conclusão da 8ª série do Ensino Fundamental, denominado "Fome de Quê?", no qual
os alunos buscam desenvolver um projeto de estudo e intervenção em parceria com
comunidades de outras realidades culturais e sociais.
Veja alguns dos momentos da viagem de estudos:
Encontro com o pajé: os alunos tiveram um encontro com o pajé na Casa de Rezas,
para ouvir histórias da aldeia que só podem ser contadas neste local considerado
sagrado para os guaranis.
Visita à padaria: na viagem, os alunos aprenderam como se faz o Tipá,
tradicional pão guarani, na padaria da escola Nhembo’e‘a Porá.
Conclusão do site: o grupo que está trabalhando com a montagem de um site sobre
a aldeia e a cultura guarani, em colaboração com adolescentes da tribo, concluiu o levantamento de informações para o projeto, entrevistando o diretor
da escola da aldeia.
Caminhada ecológica: os alunos fizeram uma caminhada até as
cachoeiras da região.
Almoço coletivo: os alunos tiveram, também, um momento de confraternização
importante, em um almoço preparado na aldeia para os índios e alunos.
Enquanto esse grupo viajou, outras duas turmas ficaram em São Paulo trabalhando a
todo vapor.
Esses alunos não foram à Boracéia desta vez, porque estão fazendo a coleta de
livros para a biblioteca e materiais didáticos para os professores da escola da
aldeia, além de organizarem uma gibiteca e uma brinquedoteca para os índios.
Este trabalho será concluído na segunda quinzena de outubro, quando os alunos
viajarão para Boracéia.
Alunos da 8ª série aprendem sobre vida
e costumes dos guaranis em comunidade indígena de Boracéia
Você
sabia que o povo indígena Guarani está sempre migrando, em busca do Paraíso? E
que nessas comunidades não existem adolescentes: ou as pessoas são crianças ou
são adultos? Sabia também que os nomes de batismo das crianças são sempre
escolhidos pelo Pajé? Estas e outras descobertas foram feitas pelos alunos da 8a
série que recentemente viajaram para Boracéia, no litoral de São Paulo, para um
dia de vivências e troca de experiências com índios guaranis que lá têm aldeia.
A viagem, que aconteceu no dia 4 de agosto, e será repetida com outra turma no
dia 18 de agosto, insere-se no Projeto Fome de quê?, tema do Projeto de
Conclusão de Curso da 8a série em 2004.
O primeiro contato já foi feito em abril durante a Festa do Índio, quando os
alunos do Magno conheceram 10 etnias indígenas, seu artesanato, culinária,
música e também entrevistaram muitos índios pra entender seu modo de vida.
Neste segundo encontro, além da aldeia, os alunos visitaram a Escola EMIG
Nhembo’e‘a Porá, que é uma escola bilíngüe: Guarani e Português. Do Pré até a 2ª
série do Fundamental, os professores são índios. A partir da 3ª série, os alunos
passam a ter aulas com professores não-índios, especializados em cada uma das
áreas. Isto porque o currículo escolar é o mesmo das outras escolas.
A Escola Nhembo’e‘a Porá tem uma sala de vídeo e um laboratório de informática
com 15 máquinas, porém o uso da Internet é restrito à diretoria. O conselho da
comunidade tem um grande receio do tipo de influência que a Internet pode
exercer dentro da cultura indígena.
Existe uma biblioteca da escola, mas está bem desatualizada e o acervo é pequeno,
por isso, um dos trabalhos que os alunos do Magno vão se preparar para
desenvolver é a restauração de livros e jogos e organizar o espaço. Também já
iniciaram uma campanha de arrecadação de livros para enriquecer o acervo da
escola indígena.
A visita foi cercada de cuidados e exigiu muita diplomacia dos professores e
alunos. Afinal, os índios são reservados e sempre temem que a presença dos
brancos se transforme em perdas para a comunidade.
Na visita, os alunos puderam apresentar suas expectativas e os trabalhos que
pretendem desenvolver junto à comunidade, entre eles:
- Escoamento do artesanato e a viabilização do projeto existente de venda do
fruto, semente e polpa do açaí e palmito de pupunha;
- Censo da aldeia – o mapeamento ainda não foi realizado e esta é uma
solicitação da própria escola;
- Site da Comunidade – eles já possuem 5.000 fotos digitalizadas e muitos textos
prontos sobre a história da comunidade e da escola. Os alunos do Magno já se
ofereceram para trabalhar na montagem do site. Existe também um dicionário
Guarani/Português para ser disponibilizado na Internet. Com certeza, os alunos
terão uma grande tarefa pela frente.
A viagem promoveu também ricos momentos de contato e a troca de experiências
entre culturas diferentes. Neste encontro eles puderam falar com jovens da mesma
faixa etária para saber sobre suas vontades e necessidades, e também se
divertiram muito com um jogo de futebol coletivo.
Outro momento bastante interessante foi a visita ao viveiro da comunidade, onde
várias mudas de plantas ficam guardadas cada uma para uma das famílias. Cada
membro da família sabe qual é a sua muda, já que sua subsistência também depende
dela.
Algumas curiosidades que foram contadas neste encontro:
- Existem no Brasil 187 povos indígenas com línguas e culturas diferentes. No
estado de São Paulo são 5 no total, uma delas os guaranis.
- O povo Guarani é migrador; está sempre em busca do “Paraíso” para viver.
- Na comunidade não existem adolescentes. Ou as pessoas são crianças ou são
adultos. Os casamentos começam a acontecer a partir dos 14 anos. O cacique
autoriza a cerimônia, que é realizada pelo Pajé da tribo.
- Os nomes de batismo das crianças são sempre escolhidos pelo Pajé, depois de um
ritual em que ele recebe a informação sobre qual o melhor nome para a criança,
depois de entrar em transe. Todo nome possui um significado e vem acompanhado de
um símbolo ou figura protetora.
- Os registros de nascimento das crianças possuem dois nomes – um em guarani,
dado pelo Pajé, e um nome em português, este sim, escolhido pelos pais.
- Existe um projeto de criação de capivaras, em andamento, para a subsistência
da aldeia. Segundo Antônio, índio que recepcionou os alunos
na visita, a carne é muito saborosa e a banha do animal é o melhor
remédio para doenças respiratórias, como asma e bronquite.
Clique aqui e veja as fotos da viagem.
Alunos da 8ª série visitam comunidade
quilombola em Cambury

No dia 3 de junho, às 7 horas, muito animados, apesar do frio da manhã, 30
alunos da 8ª série saíram para uma viagem que jamais imaginaram fazer: foram
aprender e conviver com pessoas de uma comunidade remanescente de quilombo, na
praia de Cambury, na divisa com o Rio de Janeiro.
Este foi o primeiro contato dos alunos com os quilombolas. Os alunos puderam
conhecer sobre a cultura, as moradias de pau-a-pique, onde não existe nem luz
elétrica nem água encanada, o artesanato, a pesca artesanal, as roças, a casa da
farinha comunitária, entre outras coisas.
Para conhecer a rotina da população, os alunos fizeram inclusive o mesmo trajeto
seguido pelos quilombolas para acessar os poucos serviços que existem na região,
como ir ao posto de saúde e à escola.
A escola que fica na vila só tem ensino até a 4ª série do Ensino Fundamental.
Para seguir estudando, os alunos precisam freqüentar uma outra escola que fica a
10 km da comunidade – e não há condução no local.
A maioria da população vive da economia de subsistência e de pesca artesanal. A
povoação no local foi iniciada em 1750 pelos escravos que fugiam das fazendas de
Paraty. Hoje, está localizada próxima ao Parque Estadual da Serra do Mar –
Núcleo Picinguaba, onde os alunos passaram a noite.
Além de conhecer a região e conversar com os moradores, os alunos entrevistaram
duas pessoas influentes na comunidade, o líder quilombola, Genésio, e Andréa,
que não é quilombola, mas foi aceita na comunidade e é responsável pelo Centro
de Convivência da Comunidade.
Depois das conversas e das pesquisas iniciais, os alunos do Magno começam a
estabelecer quais são os principais problemas existentes na região e iniciam a
elaboração de projetos de intervenção.
Algumas idéias já surgiram: auxiliar na montagem de uma biblioteca na escola,
ainda inexistente, propor soluções práticas aos problemas de falta de transporte
e resgatar o máximo da cultura dos quilombolas. Idéias não faltam. Agora, os
alunos começam a confrontá-las com a realidade. Esse é o primeiro passo para
transformar sonhos em projetos – uma das principais lições que os alunos estão
aprendendo.
Clique aqui e veja as fotos da viagem.
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