2006

Projeto Testemunha Ocular da História

Ruy Ohtake: uma lição de arquitetura e de vida para os alunos da 8ª série

      O nome do arquiteto Ruy Ohtake – filho da internacionalmente reconhecida artista plástica Tomie Ohtake – está intimamente ligado à história recente de São Paulo. Isto porque recentemente Ruy também passou a fazer parte da experiência de vida dos alunos da 8ª série do Magno, testemunhas oculares de uma metrópole em transformação.

     O encontro com um dos mais requisitados arquitetos brasileiros aconteceu no contexto das pesquisas feitas pelo grupo "São Paulo Futurista", que busca não apenas compreender as mudanças pelas quais a cidade passou, mas principalmente investigar para onde caminha.
Depois de estudar a arquitetura da cidade, desde o início do século XIX até as mais modernas construções, os alunos chegaram ao arquiteto Ruy Ohtake.
Foi um momento muito importante, e os alunos se prepararam para o encontro. É importante ressaltar que Ruy não falou apenas dos aspectos técnicos da arquitetura, mas mostrou como a cidade é desenhada por prédios, mas definitivamente construída por e para seres humanos. Assim, falou sobre seu projeto voluntário na Favela Heliópolis.
Certa vez, Ruy declarou em uma entrevista que a parte mais feia da cidade era esta favela. Foi então procurado pelo líder comunitário de Heliópolis para ajudar a mudar o cenário, e na mesma hora topou participar do projeto. Além de coordenar a pintura das fachadas das casas com cores vibrantes, porque, segundo ele, cores fracas são coisa de europeu, Ohtake reformou uma casa para criar uma biblioteca com uma lista de cerca de mil livros, além do Cinema Heliópolis.
Assim, os alunos aprenderam bem mais do que princípios de arquitetura: receberam uma verdadeira lição de vida.
 

Alunos encontram o músico Marcelo Nova e fazem uma viagem na história e no tempo

          

        Marcelo Nova é uma testemunha ocular viva de um tempo que marcou a história do século XX – o movimento hippie, a contracultura. Amigo pessoal e parceiro do ídolo Raul Seixas, ainda hoje conserva o mesmo estilo estético, a mesma atitude política e ética.
        Por isso, o encontro que os alunos tiveram com Nova foi um verdadeiro choque cultural – o que, aliás, faz parte dos objetivos do Projeto de Conclusão de Curso da 8ª série, neste ano com o tema Testemunha Ocular da História.
Esse grupo trabalha com a idéia das tribos e, no momento, conhece movimentos culturais que marcaram a década de 60 e 70.
        Por isso, os alunos ficaram entusiasmados com a possibilidade – já que todos nasceram bem depois da morte de Raul Seixas – de ser testemunhas oculares dessa outra realidade cultural.
        A impressão que fica é que Nova ignora os apelos da mídia e faz a arte pela arte. É contra quase tudo, especialmente as coisas que associa à repressão da liberdade, como as instituições políticas e religiosas.
Para muita gente, essa é uma postura chocante, principalmente nos tempos modernos. Tudo ficou registrado em texto e vídeo. O projeto continua firme: agora é só aguardar o que vem por aí.


Alunos recebem visitantes que viveram histórias das Copas

               


         Para saber mais a respeito de fatos que marcaram a história das Copas do Mundo, dois caminhos são possíveis: procurar informações em jornais, revistas, vídeos e livros, ou conversar com quem vivenciou pessoalmente aqueles momentos gloriosos. Foi esse privilégio que um grupo de alunos da 8ª série teve durante uma atividade do Projeto de Conclusão de Curso "Testemunha Ocular da História". Eles receberam Nelson Rodrigues, um senhor de 96 anos, ex-jogador de futebol, e do experiente jornalista Flávio Gomes.
         Este ano, o projeto dos alunos da 8ª série tem o objetivo de levá-los a confrontar diferentes visões da história, a partir de muitos pontos de vista, especialmente daqueles que presenciaram acontecimentos ou épocas históricas importantes. No caso deste grupo, o tema é a história das Copas e em quais contextos históricos elas foram realizadas.
         Por isso, a presença do Sr. Nelson Rodrigues e de Flávio Gomes foi muito importante.
         Bisavô do aluno Caio, Nelson nasceu em 1910 e desde cedo sempre gostou muito de futebol. Natural da cidade de Santos, jogou no time da cidade e também acompanhou todas as edições das Copas do Mundo.
         O visitante trouxe fotos antigas e também falou sobre as diferenças que existem entre o futebol de antigamente e o atual. As características do campo, da bola, dos uniformes, das jogadas. Para ele, hoje os jogadores não jogam mais por amor e sim pelo dinheiro que podem ganhar.
         O bisneto Caio guardou uma mensagem do bisavô que ele considera muito importante: “Observar sempre as qualidades das pessoas e aprender com elas”. Já para a aluna Sofia, o que ficou marcado foi escutar de alguém que viveu 96 anos e diz ter sido feliz a vida inteira. “Também achei legal o que ele contou sobre os jogadores e a comparação que fez entre Garrincha e Ronaldinho Gaúcho”, conta a aluna. “Acho que foi uma oportunidade muito legal poder conversar com alguém que foi mesmo testemunha ocular desta história”, conclui Guilherme.
         Já Flávio Gomes tem em seu currículo passagens pela Revista Placar, Folha de S.Paulo, as rádios Jovem Pan e Bandeirantes, e hoje dirige um programa na ESPN Brasil, além da sua própria agência de notícias.
         Em 1988, aos 24 anos, Flávio fez a sua primeira cobertura da Fórmula 1 e, a partir de então, foi repórter e comentarista exclusivo deste esporte. Segundo ele, o pior momento que testemunhou em sua carreira foi o acidente e a morte de Ayrton Senna. “Eu sabia que estava testemunhando um marco na história do País”, conta.
         Os alunos perguntaram também fatos acontecidos nas Copas de 90, quando Flávio era editor da Folha de S.Paulo; 94 e 98, quando trabalhava na Jovem Pan e de 2002, período em que era repórter da Bandeirantes.
         E, entre fatos futebolísticos, Flávio abordou uma questão muito importante: a última Copa foi totalmente tecnológica, graças aos recursos disponíveis hoje em dia. A informação chega de uma maneira muito rápida, via internet ou celular. Por isso, Flávio acha que o jornal deixou de ter uma função informativa e hoje passou a ser um analisador de notícias. E aconselhou os alunos a lerem muito jornal. “Não adianta apenas estar informado, se você não é capaz de escrever dez frases sobre o assunto. E isso vocês só conseguem lendo as notícias no jornal e analisando os diferentes aspectos e abordagens das notícias”, explicou o jornalista.
 


 

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