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Ano Internacional
da Biodiversidade
Em todo o planeta, a biodiversidade – a diversidade da vida –, desde
as bactérias até as plantas, desde as espécies até os ecossistemas –
está em declínio. Em algumas décadas as alterações e as destruições
causadas pelo homem aos ecossistemas naturais – em particular as
florestas primárias, as florestas tropicais, as zonas úmidas, os
manguezais, os lagos, os rios, os mares e os oceanos – cresceram a
um ritmo inquietante.
Estima-se que o número de espécies conhecidas – e nós estamos longe
de conhecer todas – declinou desde os anos 70. Desde 2000, as
florestas primárias perderam 6 000 000 de hectares por ano. Perto de
vinte por cento dos recifes de corais foram destruídos
principalmente por causa da poluição e da pesca predatória. Vinte e
cinco por cento das espécies conhecidas desaparecerão de hoje até
2050. Numerosos cientistas pensam que a Terra está perto de conhecer
uma fase de extinção em massa.
Segundo o “Evolução dos ecossistemas para o milênio” publicado pelas
Nações Unidas em 2005, as taxas atuais de extinção das espécies
seriam até mil vezes mais elevadas que os níveis julgados naturais.
Desencadeado pela mudança climática, que vai intensificar as perdas
da biodiversidade e, se agravada pelas mesmas, o problema, será a
aceleração do fenômeno – assim como nossa cegueira coletiva para a
tomada de atitude.
A Terra evolui para um estado onde ela poderá não mais nos
sustentar. Há um limite para os danos que nós podemos infringir aos
ambientes dos quais nós dependemos.
Desde a revolução industrial a humanidade trata os recursos naturais
como se eles fossem infinitos. Poucas pessoas se dão conta que a
biodiversidade é um recurso como qualquer outro.
A biodiversidade oferece suporte a uma quantidade de processos e de
serviços dos ecossistemas naturais, tais como a qualidade do ar, a
regulação climática, a purificação da água, a luta contra os
parasitas e as doenças, a polinização e a prevenção das erosões. A
qualidade de vida – e a sobrevivência – dos humanos é dificilmente
concebível sem uma biodiversidade florescente.
Os sistemas alimentares são fortemente dependentes da biodiversidade
e uma proporção considerável de medicamentos é direta ou
indiretamente de origem biológica. Sessões inteiras da nossa
economia dependem igualmente da diversidade biológica e, é
importante assinalar que os pobres do planeta são os mais expostos
aos riscos associados à sua perda, porque eles são os mais
dependentes dos serviços dos ecossistemas, ora em vias de
degradação. Por conseguinte, a diminuição da biodiversidade terá um
impacto negativo sobre a realização dos Objetivos do Milênio (OMD),
principalmente, sobre o objetivo específico consagrado ao
desenvolvimento.
Enfim, não se pode ignorar a que ponto são essenciais os benefícios
não materiais dos ecossistemas, em particular os valores espirituais
e estéticos.
A complexidade desses aspectos foi reconhecida no seu conjunto em
1972, logo que a UNESCO lançou duas iniciativas pioneiras pela
sustentabilidade da vida. Vale lembrar a Convenção relativa à
Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural (bens tangíveis e
intangíveis) que instituiu que os ecossistemas naturais e de
paisagem pertenciam ao patrimônio comum da humanidade o Programa O
Homem e a Biosfera (MAB), que levou à criação de Reservas de
Biosfera indicando um total de 553 reservas das quais 107 foram
implementadas até hoje, com três funções precípuas onde uma ratifica
e remete à outra: – conservação, desenvolvimento sustentável e apoio
à pesquisa e à educação.
A biodiversidade é um bem público global, como foi reconhecido há 20
anos atrás, em 1972, pela Convenção sobre a biodiversidade (CDB). Os
três objetivos desta convenção, são a conservação da diversidade
biológica, sua utilização sustentável e a partilha justa e
proporcional dos benefícios associados ao uso dos recursos
genéticos.
Nesses últimos anos o objetivo principal foi de reduzir o ritmo de
perda de biodiversidade – uma meta da qual a realização revelou-se
árdua, difícil de mensurar no estado em que a biodiversidade se
encontra atualmente – há de se colocar em prática as medidas e as
práticas propícias à verdadeira preservação da biodiversidade.
Com o firme propósito de aumentar a tomada de consciência de todos
os povos sobre a importância da biodiversidade para a qualidade de
vida e sobrevivência da humanidade, as ONU declarou o ano de 2010,
Ano Internacional da Biodiversidade (IYB).
Fortalecida por sua rica história no domínio da biodiversidade, a
UNESCO organizará vários eventos ao longo de 2010, incluindo uma
exposição itinerante. Comunicar é vital: a ambição primeira dos
eventos do IYB é despertar as consciências não somente sobre os
fatos, mas igualmente sobre tudo aquilo que pode ser feito. Colocar
em destaque experiências de sucesso na luta sustentável contra a
perda da biodiversidade e pela sua preservação, fator este essencial
para suscitar a nível local, nacional, regional ou internacional, o
nascedouro de projetos concebidos e desenvolvidos para preservar e
resgatar a diversidade do ser vivo.
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