Entrevista com José Alcino Alano
Como surgiu a idéia de criar um aquecedor solar
utilizando material reciclável?
A idéia surgiu de uma vontade pessoal de
fazer algo para ajudar a preservação do meio ambiente. Como eu conhecia bem
o funcionamento do aquecedor convencional, e sabia a respeito dos danos que
as embalagens causam à natureza, resolvi montar o aquecedor solar a partir
do material reciclável. Graças a Deus, o experimento deu certo!
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O senhor já trabalhava com isso, tinha algum
conhecimento sobre energia alternativa?
Na realidade, eu trabalhava com
eletromecânica. O projeto deu certo porque sempre tive muito interesse pela
energia solar e, ao mesmo tempo, pelo desperdício de embalagens, que sempre
achei um crime contra o meio ambiente. A garrafa PET e a caixa de leite, por
exemplo, são dois “venenos” para o meio ambiente. Quando era mais novo, não
havia essa variedade de embalagens que vemos hoje! Além disso, a energia
solar é gratuita e não gera impostos. Seria muito bom se todos adotassem
esse projeto...
Além desse, há algum outro projeto em vista?
Sim, a cadeira para deficientes físicos. Meu
objetivo é dar mais qualidade de vida não só aos pacientes como à família.
Muitos doentes ocupam leitos hospitalares porque não têm condições físicas
para se deslocarem. Mais uma vez, meu foco é a população de baixa renda.
Qual a importância das escolas estarem envolvidas
neste processo, do ponto de vista da cidadania e da educação ambiental?
Percebo que os jovens são interessados nos
problemas sociais e muitos querem mudar ou questionar a atitude dos mais
velhos. Saber aproveitar esse interesse das crianças e dos jovens é uma
forma inteligente de mudar o mundo e solucionar diversos problemas. Afinal,
são eles que estarão à frente de tudo, daqui a alguns anos. Precisamos
estimular essa conscientização hoje para colhermos bons frutos amanhã. Além
da escola, é preciso que, em casa, haja diálogo e bons direcionamentos a
esses jovens. Não podemos esperar atitudes do governo, temos que agir por
conta própria. Cada um faz a sua parte e a soma disso será um mundo com
muito mais qualidade.
O projeto do aquecedor solar já está em
funcionamento?
Sim, em várias regiões o aquecedor já está
funcionando com muito sucesso! Em Santa Catarina existe uma parceria com a
CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina), e contamos com este apoio
para a instalação de trinta projetos em dezesseis regionais. É importante
deixar claro que essa iniciativa trata-se de um trabalho voluntário, sem
retorno financeiro. Também fizemos uma parceria com o governo do Paraná,
através da SEMA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos)
e de suas vinculadas, IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e SUDERHSA
(Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental). Por meio dessa parceria, serão instalados aquecedores solares em
12 mil casas em diversas regiões do estado do Paraná.
Há quanto tempo existe o projeto?
Em 2002 instalei o primeiro aquecedor na
minha residência. Em 2004, inscrevi-me para um concurso e ganhei o Prêmio
Super Ecologia 2004, oferecido pela Revista Super Interessante. Pouco tempo
depois, participei do programa “Globo Ecologia”, em Santa Catarina, onde
fizemos uma demonstração do projeto. Nesse sentido, a imprensa nos auxiliou
muito na divulgação do experimento e nos possibilitou mostrar que nossa
intenção é simplesmente cuidar do meio ambiente e, ao mesmo tempo, ajudar as
pessoas mais carentes.
E quanto à economia, há alguma estimativa de
redução da energia elétrica com o uso do aquecedor solar?
Uma residência pode ter uma economia de 20 a
30% com o aquecedor.
Como foi divulgar o seu experimento para as
Escolas Associadas da UNESCO?
Recebi um convite de D. Myriam Tricate,
diretora do Colégio Magno e coordenadora nacional das Escolas Associadas da
UNESCO, para realizar a oficina para os educadores. Não tive dúvidas em
querer mostrar esse trabalho para as escolas! Acredito muito na educação
desse país e na possibilidade dos colégios disseminarem importantes idéias e
conceitos para os jovens! Tenho um profundo respeito pelos professores, acho
uma das profissões mais dignas que existem. A eles confiamos boa parte da
educação dos nossos filhos!
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